quinta-feira, 29 de julho de 2010

Síndrome das Pernas Inquietas

01. O que é síndrome das pernas inquietas?

A síndrome das pernas inquietas é uma doença neurológica que se caracteriza por uma sensação desagradável nas pernas, e menos frequentemente, nos braços que causa uma necessidade quase irresistível de se movimentar para obter alívio dos sintomas. A sensação desagradável é descrita pelos pacientes como formigamento, coceira, pinicamento, dor, queimação e sensação de bichos andando dentro da perna. Apesar do nome pitoresco e de ser comum, é muito pouco conhecida da população geral e mesmo da comunidade médica em geral. Como conseqüência ela é subdiagnosticada, principalmente por não especialistas.

02. A síndrome das pernas inquietas é comum?

É extremamente comum quando comparada com outras doenças amplamente conhecidas da população. Estudos epidemiológicos apontam que a SPI ocorre em aproximadamente 5 a 15% das pessoas. A epilepsia, por exemplo, atinge apenas 1% da população e a doença de Parkinson tem incidência menor que 0.5%. A incidência da síndrome das pernas inquietas pode ser comparada com a da enxaqueca, que atinge 6% dos homens e 18% das mulheres. Um estudo realizado por nós em conjunto com alunos do curso de medicina da UEM e o departamento de Medicina da Família encontrou prevalência de 10% entre pacientes acima de 40 anos. O interessante é que nenhum dos pacientes com critérios diagnósticos para a doença tinha sido diagnosticado anteriormente, apesar da natureza crônica dos sintomas em todos eles. Portanto, a SPI é provavelmente a doença mais comum que as pessoas nunca ouviram falar.

03. Como se faz o diagnóstico dessa doença?

O diagnóstico da SPI é essencialmente clínico. O grupo de estudo internacional em síndrome das pernas inquietas estabeleceu quatro critérios diagnósticos que devem ser preenchidos para o diagnóstico:
A. Urgência em movimentar as pernas devido a sensação desagradável.
B. Início ou piora dos sintomas durante o repouso ou inatividade.
C. Alívio dos sintomas com os movimentos.
D. Piora dos sintomas ao anoitecer e durante a noite.
Os critérios diagnósticos auxiliares são:
E. Presença de movimentos periódicos durante o sono (geralmente notado pelo companheiro de cama).
F. História familiar.
G. Melhora significativa com baixas doses de agentes dopaminérgicos.

04. Há qualquer interferência com o sono?

Sim. Os pacientes com SPI têm grande dificuldade para dormir, pois os sintomas se exacerbam no início da noite e primeira metade da madrugada, interferindo diretamente na capacidade dos pacientes em pegar no sono. Isso causa insônia crônica com repercussões importantes para o funcionamento diurno. É frequente que os pacientes com síndrome das pernas inquietas se queixem de sonolência diurna, cansaço e dificuldade de concentração e memória, devido ao sono não restaurador noturno. Aproximadamente 80% dos pacientes com SPI também apresentam uma condição conhecida como movimentos periódicos dos membros durante o sono, onde movimentos involuntários de flexão do pé e perna ocorrem periodicamente a cada 15 a 40 segundos enquanto o paciente está dormindo. Esses movimentos geralmente não são notados pelo paciente e sim pelo companheiro de cama. Além disso, a ocorrência da síndrome da apnéia do sono é elevada em pacientes com síndrome das pernas inquietas.

05. Quais são as causas da síndrome das pernas inquietas?

A doença não tem uma causa definida em aproximadamente 75% dos casos, quando ela é chamada de primária. Fatores genéticos foram encontrados em pelo menos metade desses pacientes. História familiar é comum. A incidência em familiares de primeiro grau é cinco vezes maior que na população geral. Desregulação do neurotransmissor dopamina parece estar relacionada com a doença, assim como deficiência de ferro na substância negra. Cerca de 25% dos pacientes têm alguma condição ou doença que está associada com aumento de chance de desenvolvimento de SPI, incluindo anemia com deficiência de ferro, gestação, insuficiência renal crônica, diabetes, doenças da tireóide, neuropatia periférica, doença de Parkinson e uso de alguns medicamentos como antidepressivos, metoclopramida (plasil) e lítio. Os sintomas também podem ser exacerbados pela ingesta excessiva de cafeína, bebidas alcoólicas e hábito de fumar cigarros.

06. A doença somente acomete adultos?

Não. Embora a doença seja mais comum em idosos, ela também pode ocorrer em jovens e crianças.

07. Que doenças podem ser confundidas com a síndrome das pernas inquietas?

- Neuropatias periféricas são as mais difíceis de diferenciar.
- Acatisia, uma forma de agitação motora involuntária comum em pacientes que usam medicamentos para doenças mentais.
- Insuficiência vascular periférica
- Transtorno com déficit de atenção e hiperatividade em crianças

08. Qual o especialista mais indicado para o diagnóstico e tratamento da SPI?

O neurologista é o especialista mais habilitado para o diagnóstico e o tratamento. Campanhas de educação da comunidade, assim como dos médicos generalistas são fundamentais para que a doença seja mais reconhecida na população geral.

09. Que exames complementares podem ajudar no diagnóstico?

O diagnóstico da SPI é essencialmente clínico, ou seja, é feito apenas com a história e o exame físico do paciente. Alguns exames complementares são necessários para detectar a causa ou descartar outros diagnósticos diferenciais. Exames de sangue incluindo hemograma, dosagem de ferro e ferritina, função renal, função tireoidiana, magnésio, vitamina B12, ácido fólico e glicose de jejum são obrigatórios em todos os pacientes. Teste de gravidez é recomendável em mulheres, embora quando os sintomas surgem na gestação, geralmente o diagnóstico de gravidez já está confirmado. A eletroneuromiografia deve ser solicitada nos pacientes em que há suspeita de neuropatia periférica. A polissonografia é um exame do sono que pode mostrar a diminuição da eficiência do sono e a presença dos movimentos periódicos dos membros (> 5 por minuto).

10. A doença tem cura?

Depende. Se a doença for secundária a alguma outra doença, o tratamento adequado da doença de base causa desaparecimento dos sintomas. Em mulheres grávidas ela costuma desaparecer um mês após o parto.


11. Quais os cuidados não farmacológicos que os pacientes devem tomar em casa?

- massagens locais
- alongamentos
- repousar os pés em balde de água quente
- compressas geladas
- técnicas de relaxamento como meditação e yoga
- boa higiene do sono
- praticar atividade física leve a moderada.
- evitar cafeína, álcool e cigarros.
- manter atividade mental no final da tarde e início da noite.


12. Quais são os seus conselhos para pacientes que sofrem de síndrome das pernas inquietas?

Procure um neurologista de sua confiança e siga as recomendações à risca que as taxas de melhora são excelentes, com repercussão importante sobre a sua qualidade de vida.

5 comentários:

  1. É un desconforto total principalmente quando sento ou deito.tenho que ficar passando a mão.parece que tem algum coisa dentro da pele que fica escorrendo.se tiver alguém que possa me ajudar ficarei grata.

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  2. Sou diabética tomo metformina e uso insulina tomo também gabapentina .Comecei a sentir esse incomodo tem pouco tempo ,mas hoje to com a sensação que tem um bich0 andando dentro da minha perna esquerda é horrível

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  3. Tenho 44 anos, sinto bichos a correr dentro das pernas é uma sensação horrível passo a noite a sacodilas também sinto formigueiro no cérebro. Já me quexei à médica de familia mas não deu importância. Quem me pode ajudar?

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    1. Estou com esses sintomas, temho osteoporose e tendinite médico falou que é por motivos da tendinite, achei que ele fez pouco caso da minha queixa

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